Chuvas, temperaturas e disponibilidade de água no solo merecem atenção nos próximos meses.
Para quem produz café, acompanhar o clima faz parte do planejamento da safra. Com o fortalecimento do El Niño em 2026, esse cuidado ganha ainda mais relevância. Mudanças nos padrões de chuva e temperatura podem interferir em etapas importantes do ciclo do cafeeiro. Para os cooperados da Coocacer, compreender esse cenário ajuda a identificar riscos e orientar decisões de acordo com as condições de cada propriedade.
O boletim de setembro do Centro de Previsão Climática da NOAA, agência norte-americana de monitoramento do clima, aponta que o El Niño está se fortalecendo, com possibilidade de atingir intensidade muito forte nos próximos meses. Essa perspectiva exige acompanhamento, mas não determina, por si só, o resultado da próxima safra.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais nas porções central e leste do Oceano Pacífico Equatorial, associado a mudanças na circulação da atmosfera. Embora ocorra distante das lavouras brasileiras, o fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta.
Esse fenômeno ocorre atualmente em um mundo mais quente em razão das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. Essa combinação pode ampliar os riscos de calor extremo e de outros eventos, mas seus efeitos variam entre regiões e entre diferentes episódios de El Niño.
Já o boletim divulgado neste mês pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em conjunto com outras instituições, aponta que, para o trimestre de setembro a novembro, há maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas de Minas Gerais e de temperaturas acima da média em praticamente todo o país. O INMET reforça a necessidade de acompanhar tanto as previsões para os próximos dias quanto as tendências para a estação, pois a intensidade do El Niño não determina, sozinha, a gravidade dos impactos em cada região.
Para a cafeicultura do Cerrado Mineiro, esse cenário reforça a importância de observar a regularidade das chuvas após a florada, a umidade do solo e os períodos de calor intenso. A combinação dessas informações com o acompanhamento da lavoura ajuda a orientar o manejo conforme as condições de cada propriedade.
No Cerrado Mineiro, isso significa que a presença do El Niño não deve ser interpretada como certeza de seca ou de excesso de chuva. O comportamento das precipitações em Minas Gerais também depende de outros sistemas meteorológicos. Por isso, previsões regionais e registros da própria fazenda são essenciais para compreender o que efetivamente chega à lavoura.
De acordo com pesquisas realizadas pela Embrapa, a atenção aumenta durante a transição entre o período seco e o chuvoso. A retomada da disponibilidade de água participa do desencadeamento das floradas, enquanto as condições posteriores influenciam o pegamento e a formação dos pequenos frutos a partir das flores. Calor intenso associado à falta de água pode prejudicar esse processo.
Mais adiante, a disponibilidade hídrica também é importante para a expansão dos frutos e o enchimento dos grãos, com possíveis reflexos na produtividade e na qualidade.
O que observar nos próximos meses
O acompanhamento da lavoura pode se concentrar em alguns pontos:
Distribuição das chuvas: registrar quanto chove e os intervalos entre as precipitações, especialmente após a florada. O acumulado mensal, sozinho, pode esconder períodos prolongados sem disponibilidade de água.
Temperaturas e episódios de calor: observar a intensidade e a duração dos períodos quentes, relacionando esses registros à fase de desenvolvimento da lavoura.
Água disponível no solo: avaliar se a umidade atende às necessidades das plantas. Nas áreas irrigadas, também é importante considerar a disponibilidade hídrica e o funcionamento dos equipamentos, sempre com orientação técnica para o manejo.
Vegetação e conservação da água
Celebrado em 21 de setembro, o Dia da Árvore reforça a importância de cuidar da vegetação nativa também nas propriedades rurais. Preservar as árvores e a vegetação ao redor das nascentes e dos cursos d’água contribui para proteger o solo, reduzir a erosão e conservar a água, recursos essenciais para a cafeicultura.
Em um cenário de atenção às mudanças do clima, esses cuidados fazem parte do planejamento de uma produção sustentável e da proteção das próximas safras.
Para a Coocacer e seus cooperados, transformar informação climática em conhecimento aplicado ao campo é parte da preparação para a próxima safra. Registros da propriedade, observação das plantas e orientação agronômica ajudam a ajustar o planejamento às necessidades de cada lavoura.
O El Niño está no radar e, para quem produz café, entender os sinais do clima também é uma forma de se preparar para o futuro da safra.