O que separa empresas que crescem em junho daquelas que desperdiçam oportunidades

Com Dia dos Namorados, festas juninas, Copa do Mundo, férias escolares e fechamento do semestre, junho se consolida como um dos períodos mais estratégicos para os negócios. Especialista aponta os movimentos que diferenciam empresas preparadas das que apenas reagem ao mercado. Com potencial para movimentar mais de R$ 22 bilhões no varejo brasileiro, junho reúne uma combinação rara de estímulos ao consumo. Além do Dia dos Namorados, das festas juninas e das férias escolares, a Copa do Mundo e o encerramento do primeiro semestre ampliam a movimentação em diversos setores da economia. Mas, para especialistas em crescimento empresarial, o aumento da demanda não garante, por si só, melhores resultados. Para Matheus Mundim, economista, mestre em Administração com foco em Marketing e Vendas e fundador da V4 Mundim & Co, o período funciona como um teste de maturidade para as empresas. “Mercado aquecido ajuda, mas não substitui gestão. O que vemos é que algumas empresas aproveitam esses momentos para acelerar o crescimento, enquanto outras passam o mês inteiro apagando incêndios. A diferença está na preparação”, afirma o executivo, que liderou mais de 500 projetos nos últimos seis anos. O que as empresas que crescem fazem diferente Para Mundim, cuja empresa cresceu 40% nos últimos 12 meses, o diferencial está em três movimentos adotados de forma recorrente pelas empresas que convertem oportunidades sazonais em crescimento consistente. Planejam antes do pico de demanda “As melhores campanhas não começam quando o cliente já está comprando. Elas são construídas semanas antes. Quem deixa para reagir perde eficiência e acaba desperdiçando oportunidades”, diz. Tratam velocidade como prioridade Na avaliação do especialista, o consumidor está mais impaciente e menos disposto a esperar. “Hoje, responder rápido é tão importante quanto fazer marketing. Em muitos segmentos, vence quem atende primeiro.” Pensam no segundo semestre desde já Para ele, junho não representa apenas o fechamento da primeira metade do ano. “Quem espera julho chegar para planejar já começa atrasado. O segundo semestre começa a ser construído agora.” Atendimento é o gargalo de muitas empresas À frente de mais de 100 projetos ativos, muitos deles voltados à estruturação de operações comerciais e atendimento, Mundim afirma que a principal limitação ao crescimento das empresas nem sempre é a falta de demanda. “Na prática, vemos negócios investindo em marketing e gerando procura, mas sem capacidade para responder na mesma velocidade. Muitas vezes, o gargalo está justamente no comercial. Por isso, cresce a busca por estruturas especializadas que permitam às empresas vender mais sem precisar aumentar a complexidade da operação”, afirma. Segundo ele, os desafios se repetem em segmentos distintos, do varejo aos serviços, e têm levado empresários a olhar para vendas de forma mais estratégica. A próxima vantagem competitiva Para o especialista, a transformação do atendimento comercial será cada vez mais impulsionada pela inteligência artificial. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, a tecnologia sozinha não resolve o problema. “A IA permite ganhar escala e velocidade, mas só gera resultado quando está integrada a processos bem definidos. Quem fizer isso corretamente terá uma vantagem competitiva importante nos próximos anos”, afirma.